Concórdia do Pará - PA
Assessoramento Akapu Saúde
A saúde pública de Concórdia do Pará não funciona só com dinheiro do município. O financiamento do SUS vem de três fontes, cada uma com regras próprias:
| Fonte | De onde vem | Como chega |
|---|---|---|
| Federal | Governo Federal, via Fundo Nacional de Saúde (FNS) | Transferência fundo a fundo, direto para a conta do Fundo Municipal de Saúde |
| Estadual | Governo do Pará, via Fundo Estadual de Saúde (FES) | Transferência fundo a fundo ou convênios |
| Municipal | Arrecadação do próprio município (impostos, taxas, transferências constitucionais) | Dotação orçamentária da Prefeitura para o Fundo Municipal de Saúde |
O Fundo Municipal de Saúde é a conta bancária onde entram todos os recursos destinados à saúde do município. Ele funciona como um "cofre" separado: o dinheiro que entra no Fundo só pode ser usado para ações e serviços de saúde.
As transferências federais (PAB fixo, PAB variável, incentivos de programas) caem diretamente no Fundo, sem passar pela conta geral da Prefeitura. Isso é o que se chama de transferência fundo a fundo: o Fundo Nacional de Saúde transfere para o Fundo Municipal de Saúde.
Por que isso importa? Porque garante que o dinheiro da saúde não seja desviado para outras áreas. E porque toda prestação de contas do SUS é feita a partir do que entra e sai do Fundo.
Os recursos federais para a saúde são organizados em dois grandes blocos:
| Bloco | O que financia | Exemplos |
|---|---|---|
| Custeio | Despesas do dia a dia: salários, materiais, medicamentos, exames, manutenção | PAB fixo, incentivos das equipes de Saúde da Família, SAMU, vigilância, assistência farmacêutica |
| Investimento | Obras, equipamentos, ampliações | Construção de UBS, compra de veículos, equipamentos de saúde bucal |
A maior parte dos recursos que Concórdia recebe é de custeio: manter as equipes funcionando, comprar insumos, pagar profissionais. Recursos de investimento são mais pontuais e geralmente vêm por meio de emendas parlamentares ou programas específicos do Ministério da Saúde.
A Constituição Federal e a Lei Complementar 141/2012 determinam que todo município deve aplicar, no mínimo, 15% de suas receitas de impostos e transferências constitucionais em ações e serviços públicos de saúde (ASPS). Isso não é opcional. É obrigação legal.
Descumprir o mínimo de 15% pode gerar:
| Ano | Percentual aplicado | Situação |
|---|---|---|
| 2022 | 13,49% | Descumpriu |
| 2023 | 16,57% | Cumpriu |
| 2024 | 14,98% | Descumpriu |
| 2025 | 16,34% | Cumpriu |
O quadro é preocupante. Em dois dos quatro anos do último quadriênio, o município não atingiu o mínimo. Em 2024, o déficit foi de apenas R$ 5.367, o que mostra que faltou monitoramento, não dinheiro. Nos anos em que cumpriu, a margem acima dos 15% foi pequena: qualquer imprevisto poderia provocar novo descumprimento.
Emendas parlamentares são recursos que deputados e senadores destinam a municípios por meio do orçamento federal. Para a saúde, esses recursos são uma fonte importante de custeio e investimento.
O processo funciona assim:
O município tem 4 propostas de emendas para o exercício 2026:
| Proposta | O que vai financiar | Área |
|---|---|---|
| 63000778935202600 | Materiais de consumo para APS | Saúde da Mulher e outras ações de APS |
| 36000778994202600 | Remuneração de profissionais da APS | Atenção Primária (toda a rede) |
| 36000779029202600 | Materiais para vacinação e controle de doenças | Vigilância e imunização |
| 36000779081202600 | Remuneração de profissionais de média complexidade e SAMU | Atenção especializada e urgência |
A Diretriz 10 do PMS (Gestão, Eficiência e Participação Social) trata diretamente da organização dos instrumentos de gestão e da eficiência operacional. Mas a gestão financeira atravessa praticamente todas as diretrizes, porque nenhuma meta se cumpre sem recurso.
| Meta | O que significa | 2026 | 2029 |
|---|---|---|---|
| 10.1.1 Enviar PMS ao CMS | O PMS precisa ser formalmente enviado ao Conselho todo ano | 1 envio | 1 envio |
| 10.1.2 Monitorar o PMS quadrimestralmente | Três avaliações por ano, que mostram se os recursos estão sendo bem aplicados | 3 avaliações | 3 avaliações |
| 10.2.1 Alimentar o Banco de Preços em Saúde | Registrar os preços que o município paga, para referência nacional | 1 alimentação | 1 alimentação |
| 10.2.5 Ampliar cirurgias ambulatoriais | Realizar mais procedimentos no Centro de Saúde, reduzindo encaminhamentos | 2.200 | 2.800 |
| Meta | O que significa | 2026 | 2029 |
|---|---|---|---|
| 8.1.1 Manter Horus/e-SUS AF em 100% dos serviços | Controle informatizado de medicamentos em todos os serviços | 100% | 100% |
| 8.2.1 Realizar licitações para medicamentos e insumos | Garantir abastecimento contínuo por meio de processos de compra regulares | 1 processo | 1 processo |
O dinheiro da saúde tem três mecanismos de acompanhamento que funcionam em ciclos:
Acontece três vezes por ano. Mostra como está a execução das metas e dos recursos no período. O Conselho Municipal de Saúde analisa o RDQA em audiência pública.
| Quadrimestre | Prazo de entrega |
|---|---|
| 1o quadrimestre (jan-abr) | Até 31 de maio |
| 2o quadrimestre (mai-ago) | Até 30 de setembro |
| 3o quadrimestre (set-dez) | Até 28 de fevereiro |
Acontece uma vez por ano, até 30 de março do ano seguinte. Faz o balanço completo: o que foi planejado na PAS, quanto foi gasto, quais metas foram atingidas. O CMS emite parecer conclusivo sobre o RAG.
É o sistema do Ministério da Saúde onde o município registra quanto arrecadou e quanto gastou em saúde. O SIOPS é a ferramenta que permite ao governo federal verificar se o município está cumprindo a obrigação dos 15%. A alimentação do SIOPS é obrigatória e o atraso pode gerar bloqueio de transferências.
| Instrumento | Frequência | Quem analisa |
|---|---|---|
| RDQA | Quadrimestral (3x por ano) | CMS em audiência pública |
| RAG | Anual | CMS emite parecer conclusivo |
| SIOPS | Bimestral | Ministério da Saúde / DATASUS |
O diagnóstico financeiro do PMS 2026-2029 identificou riscos que afetam diretamente o trabalho das equipes:
1. Descumprimento do mínimo constitucional. Se o município não aplicar 15% em saúde, pode perder transferências federais. Isso significa menos dinheiro para manter equipes, comprar medicamentos e funcionar. O histórico de Concórdia mostra que esse risco é real.
2. Saldos não executados. O município acumulou mais de R$ 19 milhões em recursos COVID que não foram gastos (2022-2023). Recursos parados não melhoram a saúde de ninguém. Quando o município não consegue executar o que já tem, captar mais dinheiro não resolve.
3. Emendas travadas por falta de instrumentos. Se o PMS não estiver aprovado ou a PAS não estiver elaborada, as emendas ficam com impedimento. O dinheiro existe, mas não pode ser liberado.
4. Dependência de transferências. Como município de Porte I, Concórdia depende fortemente do dinheiro federal e estadual. Se os critérios de repasse mudam ou se há atraso nas transferências, o impacto é imediato no funcionamento da rede.
Mesmo que você não trabalhe no setor financeiro, suas ações no dia a dia afetam diretamente os recursos da saúde. Veja como contribuir:
1. Registre tudo o que faz. Cada atendimento registrado no e-SUS AB, cada vacina lançada no SI-PNI, cada notificação no SINAN gera dados que justificam os repasses federais. Produção não registrada é produção que não existe para o financiamento.
2. Cuide dos materiais e equipamentos. Desperdício de insumos, uso inadequado de equipamentos e falta de manutenção preventiva consomem recursos que poderiam ser usados em outra frente. A economia de cada equipe faz diferença no orçamento total.
3. Participe do monitoramento. Quando a coordenação pedir dados para o RDQA ou o RAG, responda com agilidade e precisão. Esses relatórios mostram ao Conselho, ao Ministério e à sociedade se os recursos estão sendo bem aplicados.
4. Entenda o PMS da sua área. Se você trabalha na APS, saiba quais metas da Diretriz 1 dependem do seu trabalho. Se trabalha na Vigilância, conheça as metas da Diretriz 7. Quando as metas não são atingidas, o gestor precisa explicar por que, e essa explicação começa na ponta.
5. Ajude a evitar desperdício de emendas. As 4 propostas de emenda de 2026 financiam ações que passam pelas equipes. Se os materiais de vacinação chegarem e não forem usados, se os insumos de APS ficarem no almoxarifado, o recurso foi desperdiçado. Execute o que chegar.
6. Acompanhe os prazos. O RDQA tem prazo. O RAG tem prazo. O SIOPS tem prazo. Atrasos geram problemas para o município inteiro. Quando a gestão pedir informações dentro de um prazo, é porque existe uma obrigação legal por trás.
| Pergunta | Resposta curta |
|---|---|
| De onde vem o dinheiro da saúde? | Federal (FNS), estadual (FES) e municipal (receita própria) |
| O que é o Fundo Municipal de Saúde? | A conta onde entram todos os recursos destinados à saúde |
| O que são os blocos de financiamento? | Custeio (dia a dia) e Investimento (obras, equipamentos) |
| Concórdia cumpre os 15%? | Em 2 dos 4 últimos anos, não cumpriu |
| O que são emendas parlamentares? | Recursos indicados por deputados/senadores para o município |
| Como a prestação de contas funciona? | RDQA (quadrimestral), RAG (anual) e SIOPS (bimestral) |
| O que eu posso fazer? | Registrar produção, cuidar dos materiais, participar do monitoramento |